Residências assistidas garantem velhice de luxo

velhice de luxoAlgumas unidades para seniores estão totalmente ocupadas e têm até listas de espera, mas outras já sentem os efeitos da crise com a diminuição da procura de um produto que ainda é de elite.

 

Quem passa na Avenida Marginal, a caminho de Cascais, é impossível não reparar nos empreendimentos imobiliários de luxo com vista para o mar, suspirar e pensar: "Quem me dera viver aqui". No entanto, o privilégio está reservado à população sénior das classes mais altas, com poder de compra para garantir uma velhice com a melhor qualidade de vida possível.

 

Por dentro e por fora, estas residências assistidas são autênticos hotéis de cinco estrelas com todas as comodidades possíveis, desde acompanhamento médico permanente, a atividades lúdicas, aulas de música e pintura, trabalhos manuais, cabeleireiro, piscina, ginásio e visitas 24 horas por dia.

 

"O aumento da esperança de vida exige a toda a sociedade novas respostas para esta faixa crescente da população. O envelhecimento ativo, com saúde e bem-estar, é claramente um sector com futuro. Existe uma razoável margem de crescimento", confirmam os responsáveis da José de Mello Saúde, que detém as residências Domus Vida Junqueira (Lisboa) e Parede. Com "preços variados" para estadias permanentes, temporárias e programas de recuperação, aos residentes é prometido "um dia a dia liberto de preocupações" com aulas de artes, hidroginástica, bingo, culinária, passeios e visitas a museus.

 

Apesar da crise, dizem os responsáveis da José de Mello Saúde, "a procura mantém-se estável". Nas unidades da Junqueira e da Parede residem atualmente cerca de 150 pessoas. Para reduzir custos, existem os acordos com o Automóvel Clube de Portugal, a Associação Nacional de Farmácias e os utentes do cartão Saúde CUF, que têm benefícios adicionais. De fora ficam ainda as convenções com companhias de seguros. Além do preço, na hora de escolher o melhor sítio para envelhecer, a vista para o mar conta muito. "É como escolher um local para viver. A unidade da Parede oferece a vantagem competitiva de estar localizada junto ao mar, com boa exposição solar".

 

O mesmo acontece na Residência Montepio Parede, com capacidade para acolher 102 utentes, estando completamente preenchida e com uma lista de espera que continua a ter procura, diz lvo Granja, diretor comercial das Residências Montepio. Nas cinco casas assistidas do grupo (Porto, Vila Nova de Gaia, Coimbra, Parede e Montijo), residem neste momento cerca de 600 pessoas, com novas inaugurações previstas para a Parede (segunda unidade em 2013), Lisboa e Braga (2014). Os clientes-alvo pertencem à classe média/média-alta e as mensalidades são, em média, de 1 700 euros, dependendo da localização e dos acordos com associações profissionais e empresas. "É um negócio em expansão, pois ainda não há cá equipamentos suficientes para satisfazer toda a população", refere o diretor comercial.

 

Teresa Esquível, diretora dos serviços técnicos das Casas da Cidade - Residências Sénior, do grupo Espírito Santo Saúde, alerta, no entanto, que "o mercado privado de residências sénior tem um potencial de crescimento limitado, sobretudo por questões económicas, agravadas pela crise". Mesmo ao lado do Hospital da Luz, em Lisboa, as Casas da Cidade fazem parte de um campus integrado de saúde. Aqui, os preços variam de acordo com a modalidade de adesão: vitalícia ou temporária. Na primeira, fica entre 53 e 161 mil euros, com mensalidades dos 1 365 aos 2010 euros dependendo da tipologia (15 apartamentos T0, T1 e T2). As estadias temporárias têm mensalidades entre os 2 125 e os 3 073 euros. Além das Casas da Cidade (hoje com 55% de taxa de ocupação), a Espírito Santo Saúde detém o Clube de Repouso Casa dos Leões, em Carnaxide (75% ocupado).

 

"Ao contrário do que se verifica noutros países, a ausência de financiamento público assente numa lógica de livre escolha é uma forte limitação ao crescimento destas soluções", diz Esquível.

 

Texto: Sofia Tavares
in Diário de Notícias | Dinheiro Vivo de 30/07/2012